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19/12/2009

Bom Ano Novo | Hapy New Year

A Coordenação do Ensino Português na Califórnia (CEP.CA) deseja Boas Festas e Feliz Ano Novo 2010.

Faça de 2010 o Ano do Ensino Português na Califórnia!



Click to play this Smilebox invite: Ano Novo 10


{To view the card in English, please click here}.

25/07/2009

Novas perspectivas para o Ensino Português na Califórnia III

É preciso uma aldeia para educar uma criança | It takes a village to raise a child


Esta frase tem-se tornado cada vez mais popular entre aqueles que acreditam que a educação das novas gerações, ontem como hoje, não é só um dever dos pais, da escola, da igreja, ou do estado, mas sim uma tarefa colaborativa e uma responsabilidade que vincula a sociedade em geral. Olhada deste modo, a educação diz respeito a todos, tenham ou não filhos e netos a estudar. Todos somos educadores, todos podemos participar, todos podemos fazer a diferença no desenvolvimento das nossas crianças e jovens. Ou pelo menos podemos tentar.

No caso do Ensino Português a aceitação consciente deste desafio social e cívico torna-se ainda mais necessária e evidente. Penso não ser novidade nenhuma afirmar que a utilização e o conhecimento da língua portuguesa está em declínio na Califórnia. A continuar o actual estado de coisas, o Português como língua de comunicação e intercâmbio nas famílias, nas associações, no mercado de trabalho morrerá com o desaparecimento progressivo das gerações mais velhas. De quem é a culpa? A culpa não é de ninguém em particular, mas é de todos em geral.

Por um lado, existem forças poderosas em actuação na sociedade americana (como aliás em outras sociedades multi-étnicas) que podem constituir sérios obstáculos à sobrevivência de uma língua e cultura minoritária como o Português. Todas as minorias sentem a pressão da aculturação e da assimilação e esta luta é geralmente ganha pela tendência maioritária (main stream) em apenas 3 gerações - os netos dos imigrantes já não falam (pelo menos com a fluência desejável) a língua dos seus avós. Por outro lado, mesmo aqueles que tentam resistir a essa perda das raízes e da identidade, sentem muitas vezes baldados os seus esforços quando os jovens a elas renunciam de tão boa vontade, inconscientes do seu empobrecimento linguístico e cultural.

No entanto, o apagamento progressivo das línguas de imigração não está escrito nas estrelas, não faz parte de um destino amaldiçoado, nem é uma perda irreparável. Tal como acontece em muitos lugares do mundo (e Portugal é cada vez mais um deles) existem sociedades em que se fala mais do que uma língua, acontecendo que estas podem ter igual estatuto enquanto línguas oficiais (na Europa, o caso da Suíça é paradigmático). A coexistência de várias línguas na sociedade e nos indivíduos que a constituem implica uma ordem de conceitos diferentes da assimilação forçada, tais como o respeito e o gosto pela individualidade e a diferença, a crença no grande poder de aprendizagem da mente humana e a possibilidade de cada um poder assumir vários papéis, ter diferentes grupos de pertença e transitar de uns para outros sem prejuízo da sua auto-imagem.


Dos 16 anos que já levo de conhecimento das comunidades luso-descendentes da Califórnia, e procurando eu mesma o equilíbrio entre as duas línguas e culturas a que mais sou exposta, penso não errar muito ao afirmar que existe entre os educadores (principalmente pais e professores) um grande desconhecimento das possibilidades que ainda nos restam para contrariar a inércia linguística presente, de tendência monolingue com predominância do Inglês. Por exemplo, quantas vezes observo que estando dois adultos de origem portuguesa conversando na sua língua, logo que se dirigem a uma criança ou jovem mudam para Inglês sem reparar ou, falando com a criança ainda em Português, logo traduzem para Inglês. Porque razão tendem as pessoas a falar em Inglês com o meu filho quando ele foi criado em Portugal? Será por pensarem que após 2 anos na escola americana ele já devia ter perdido a sua língua materna? Mas o caso mais espantoso para mim é, isso sim, a capacidade que muitos já adquiriram de na mesma frase dizerem palavras alternadas em Português e Inglês, com uma fluência invejável naquilo a que se costuma chamar portinglês.


Para alterar estas situações teremos de conhecer alternativas, fazer conjuntamente um esforço consciente para não perder as oportunidades que ainda se oferecem e contrariar maus hábitos adquiridos. A sobrevivência de qualquer língua reside em dois simples princípios que se reforçam mutuamente: a motivação dos falantes para a sua aprendizagem e a ocasião para o seu uso. Motivar e utilizar. Quanto maior motivação, maior utilização e vice-versa.


Encontrar estratégias individuais, familiares e comunitárias para a sobrevivência do Português na Califórnia é na verdade o grande desafio enfrentado pelo Ensino Português. Embora as políticas de língua pensadas em Sacramento ou Lisboa possam vir a contribuir ou facilitar a permanência e a expansão do Português no sistema de ensino na Califórnia, dificilmente Portugal pode criar mais cursos nas escolas públicas deste estado, cuja ausência se criticava num artigo recente do jornal Emigrante/Mundo Português. Essa tarefa só pode caber às próprias comunidades, grupos de pais e educadores que, agindo directamente junto dos distritos escolares das suas áreas de residência, peçam a criação de opções de Português. Mas para isso também será preciso formar uma nova geração de professores que queiram assegurar o futuro de novos programas, para além de se conseguirem os fundos que permitam o seu desenvolvimento. Em suma: Advocacia, Formação de Professores, Investimento no Ensino Português.


É minha convicção de que as comunidades luso-americanas na Califórnia estão realmente interessadas em assegurar a continuidade da sua herança linguística e cultural (e uma não vive sem a outra) e integrar por direito a comunidade mais vasta do mundo lusófono. E acredito que estão preparadas para enfrentar esse desafio com os seus próprios meios, encontrando parceiros e colaboradores para os seus projectos locais e regionais. Nesse sentido a Coordenação do Ensino Português propõe para este próximo ano lectivo de 2009/2010 três princípios estratégicos que vão guiar os seus projectos de desenvolvimento. São esses princípios:

I. PARCERIA

A CEP.CA define-se como parceira natural de várias instituições no contexto educativo na Califórnia, apoiando escolas, professores, alunos e famílias, incluindo a atribuição de bolsas e ofertas de material de ensino e cultura. No entanto, não possui um estatuto legal no contexto americano que lhe permita actuar como entidade pública e potenciar o seu investimento no Ensino Português (EP).

A formalização de parcerias com instituições educativas luso-americanas para fins não lucrativos, permitir-lhe-á realizar projectos que envolvem a angariação, gestão e distribuição de contribuições monetárias por parte de indivíduos e organizações, aplicáveis directamente em programas de EP (dedutíveis no IRS). Ou seja, o investimento directo que Portugal faz no EP na Califórnia através da Coordenação, pode ser melhor rentabilizado e reforçado pelo envolvimento das comunidades e instituições locais, as quais, ao tornarem-se parceiras da CEP.CA, tornam-se, simultaneamente, co-responsáveis na sua acção.

Em Setembro de 2009 será lançado o projecto ADOPT-A-PORTUGUESE-SCHOOL ao qual as escolas, professores e alunos poderão candidatar-se através da apresentação de projectos de desenvolvimento e formação. Por seu lado, todos os indivíduos, associações, empresas, etc. interessados em apoiar directamente o EP poderão fazer uma contribuição (desde $5) para um programa ou escola da sua eleição, que passam a adoptar. No final do ano lectivo será contabilizado o investimento total efectuado pela CEP.CA e pelas comunidades no EP, serão publicados os resultados e publicamente distinguidos os 3 mecenas mais generosos.

II. PROMOÇÃO

No momento em que Portugal desenvolve uma campanha de renovação da sua imagem no mundo, promovendo o talento nacional e procurando dar a conhecer o seu carácter distintivo, são de aproveitar essas sinergias em todos os contextos onde se promove a lusofonia. Tanto as populações luso-descendentes, como a sociedade americana no geral, desconhecem muitas destas novas perspectivas sobre Portugal e os portugueses.

As escolas, os professores e as famílias podem conjuntamente desenvolver e promover o talento local numa perspectiva de integração global. Deste modo, a promoção do bilinguismo activo e equilibrado (Português e Inglês) é não só um caminho por excelência para a valorização da herança linguística e cultural, como também acentua os seus potenciais benefícios futuros para as novas gerações, principalmente nos campos da educação e do trabalho. Por essa razão, o recentemente criado selo da CEP.CA contém um dístico latino ("ex familia verbum", da família vem a língua) que chama a atenção para a importância do papel da família e da comunidade no seu todo para o legado e manutenção da língua.


Neste âmbito vai ser lançado até final de Outubro de 2009 o primeiro Clube de Pais e Professores (presencialmente e na internet) que pretende estudar as questões do bilinguismo, trocar materiais, ideias e estratégias para utilizar na família e comunidade e promover a motivação para os jovens falarem mais Português entre si, com os adultos e online. Este modelo será estendido a todas as comunidades na Califórnia que mostrarem interesse em criar o seu próprio Clube.


III. PARTILHA


O desenvolvimento de uma cultura de colaboração entre todos os profissionais da educação é um dos grandes objectivos transversais da Coordenação. Dados os primeiros passos no ano passado, pretende-se avançar agora mais ágil e eficazmente na circulação, disseminação e partilha de recursos e materiais produzidos pelos próprios professores, os quais, publicados em suporte electrónico, poderão ser reutilizados e adaptados em diversos contextos de ensino (ver por exemplo PORTULAN 1 e PORTULAN 2).


Para além disto, com a recente aprovação dos novos World Language Content Standards pelo Departamento de Edução da Califórnia, pode-se avançar na criação de um currículo comum de trabalho para o EP no 1º, 2º e 3º ciclos do Ensino Básico. A partilha destes instrumentos de trabalho entre escolas de ensino público e comunitário, permitirá planear sequências mais longas de EP, desde o nível pré-escolar até ao secundário, ganhando o Português um prestígio consentâneo com o seu estatuto de língua global.


Assim, vai continuar a desenvolver-se a comunidade de aprendizagem e prática PORTULANO (Portuguese Language Network Online), centrada no desenvolvimento profissional e qualificação profissional e de programas, com presença na internet através de uma rede de sítios.

Embora estes projectos venham a ser posteriormente descritos em mais promenor, quem desejar informações adicionais pode enviar um email a Ana Cristina Sousa para acsousa@csustan.edu ou portulan.online@gmail.com.

15/07/2009

ePostal de Lisboa


Aceder

Chegar a Lisboa em Junho após quase um ano de ausência é sempre um prazer cheio de surpresas. Junho é um mês buliçoso, o culminar da temporada antes das prometidas férias de Verão, altura em que Lisboa pode então fazer a sesta ao fresco da brisa ribeirinha.

E que lindo é o Tejo ali perto das Docas de Alcântara. O Centro de Congressos de Lisboa foi um sítio bem escolhido para ir ouvir novidades sobre o Plano Tecnológico da Educação (PTE) que o Governo Português está a desenvolver com o intuito de "colocar Portugal entre os cinco países Europeus mais avançados ao nível de modernização tecnológica do ensino".

O "Fórum de Lisboa sobre TIC e Inovação na Educação" (Lisbon Forum on Innovative Approaches to ICT in Education) foi organizado pela Coordenação do PTE (Ministério da Educação) nos dias 18 e 19 de Junho, reunindo prestigiadas personalidades nacionais e internacionais, para além da participação da Ministra da Educação na sessão de abertura.

Eis a minha primeira surpresa: a elevada qualidade do serviço prestado aos participantes, totalmente gratuito, incluindo tradução simultânea, lanches e o almoço de sexta-feira.

A minha segunda surpresa: o público era constituído por uma maioria de professores portugueses das escolas públicas até ao ensino secundário.

A minha terceira surpresa: pela primeira vez desde meados dos anos 90, quando comecei a conviver com a tecnologia no ensino e a participar em congressos semelhantes, senti que em Portugal se está a formar uma comunidade profissional de educadores (e não só de académicos) com quem finalmente poderei passar a discutir estes temas a partir de uma realidade comum, ainda que com experiências diferentes. É na verdade agradável ver assim validados os nossos esforços após anos de trabalho mais ou menos solitário.

Só por isso valeu a pena a visita. E não tive nenhum pejo em dizer publicamente à audiência o como me sentia orgulhosa em poder regressar à Califórnia e apresentar o caso português como um exemplo a ter em conta em matéria da utilização das tecnologias no ensino e formação de cidadãos do século XXI.

No entanto, não fui só eu a gabar o avanço e o esforço do investimento tecnológico português no ensino. Repetidamente os oradores estrangeiros o fizeram. E esta foi a minha quarta surpresa: pela primeira vez vi em acção uma parceria constituída pelo governo de um país (Portugal) e três das maiores corporações do mundo em matéria de tecnologia: a Cisco, a Intel e a Microsoft. E se esses senhores dizem que Portugal já é um estudo de caso, então é porque deve ser mesmo.

Na verdade, Portugal é um dos membros fundadores do projecto internacional "Avaliação e Ensino das Competências do Século XXI" (Assessment and Teaching of 21st Century Skills Project) , conduzido pela Universidade de Melbourne, a par da Austrália, Finlândia, Singapura e Reino Unido. Entre os objectivos deste projecto contam-se o desenvolvimento de um sistema de testagem por meio de computador das competências interdisciplinares dos alunos nas áreas da resolução de problemas, habilidades de adaptação, criatividade e capacidade para o trabalho colaborativo.

Pensando na tão diferente realidade tecnológica da maioria das escolas públicas e comunitárias na Califórnia, e no modo como poderemos vir a usufruir das sinergias recentemente criadas em Portugal, aproveitei ainda a participação neste fórum para me apresentar pessoalmente ao Coordenador do PTE, Dr. João Trocado da Mata, e saber novidades sobre a anunciada possibilidade de os alunos dos níveis elementares envolvidos no Ensino Português (EP) poderem vir a receber o computador portátil Magalhães, tal como está a acontecer com os seus colegas em Portugal.

A resposta não foi um inequívoco sim, mas delineou as possibilidades da sua concretização. Também em relação a este tipo de equipamento o Governo Português estabeleceu parcerias com terceiros, neste caso as operadoras de comunicações móveis, as quais fornecem também a ligação à internet. Assim, coloca-se a questão de saber se as operadoras portuguesas vão ou não estabelecer, por seu lado, parcerias com as operadoras americanas locais, permitindo a entrega desses computadores às crianças.

Embora não me pareça ser de todo impossível a realização destas intenções, tomando como exemplo as parcerias internacionais que referi acima, parece-me que o processo poderá ser muito moroso se não for ajudado pelos próprios cidadãos a quem se destina este benefício. Aqui ficam duas sugestões.

Por um lado, as comunidades luso-americanas na Califórnia poderão encontar uma forma de pressão política sobre decisores e agentes económicos através dos seus representantes (nomeadamente o Conselho das Comunidades), de forma a apressar o processo de entrega dos portáteis Magalhães.

Por outro lado, as comunidades e associações luso-americanas podem simplesmente adoptar a ideia e criar o seu próprio programa "Magalhães", contribuindo para a aquisição e distribuição de equipamento e materiais de ensino às escolas e alunos EP. A realização de um projecto local autónomo não depende de qualquer factor ou interveniente externo, mas somente do interesse e envolvimento de todos os que desejam oferecer as melhores oportunidades educativas às gerações mais jovens.

É nesse sentido que a Coordenação do Ensino Português (CEP.CA) vai lançar em Setembro o projecto ADOPT-A-PORTUGUESE-SCHOOL (Adopte-uma-Escola-Portuguesa) em parceria com associações educativas luso-americanas, o qual permitirá identificar exactamente as necessidades educativas de todas as escolas, professores e alunos EP na Califórnia, e reunir os esforços e contribuições de todos os que acreditam que a língua e a cultura Portuguesas também são um valor das comunidades luso-americanas.


15/09/2008

Brochura da CEP.CA (versão inglesa)

Está pronta para ser enviada por correio, mas poderá ser descarregada e impressa a partir da internet (dobrar em três; guias de dobragem na página 1).

10/09/2008

Regresso às aulas


Quando eu andava na escola, e mais tarde no liceu, era o regresso às aulas, no início de Outubro, que marcava o verdadeiro começo do Outono. Naqueles dias dourados, o cair das folhas amarelecidas era o ritual que suavizava o fim das Férias Grandes, dos três longos meses de campo, mar e visitas à família na província. Era bom caminhar para a escola nas manhãs frescas, com a pasta às costas, os livros com cheiro a novo, lápis afiados, cadernos de linhas e quadradinhos.

Hoje recomeça-se mais cedo - é Verão ainda e parece um perfeito contrasenso. Que sinal anuncia hoje às crianças o primeiro dia de escola, qual a linha de água entre férias e aulas? Provavelmente são os anúncios das promoções de material escolar das grandes superfícies. Imagino o meu filho daqui a uns anos a dizer: "Lembras-te mãe da confusão que havia no corredor dos dossiers no Wal-Mart? Bons tempos".

Para os professores, percebi-o mais tarde, as coisas passam-se de modo diferente. Somos agora nós os adultos, o tempo tornou-se num grande contínuo e entre trabalho e férias às vezes nem se nota muito a diferença. Por isso, quando começa um novo ano lectivo, não dizemos "Ano Novo, Vida Nova". No geral pedem-nos somente que voltemos a reencenar as pautas e guiões dos anos transactos, com novos actores, ou nem tanto assim. Esse é um dos grandes desalentos que assaltam o professor na escola pós-industrial: a evidência de que os seus alunos nunca crescem e a sua obra nunca está terminada. Raros os que sentirão, com um misto de orgulho e humildade, que o discípulo suplantou o mestre. Então, o bom professor, que tem tanto de saber, como de talento e invenção, pode ver-se roubado da sua dimensão de artista.

Porém, há maneiras de fazer descarrilar um pouco essas rotinas, juntando-lhes umas curvas ousadas, uns trajectos menos usuais, uns voos mais audazes. Na gíria profissional chamamos a isso inovação. Falar de inovação dá pano para mangas, claro, mas o que me interessa aqui são algumas componentes de inovação que estão a ser introduzidas no Ensino Português (EP), primeiro na Califórnia, e seguidamente em outros estados ocidentais.

Uma das componentes é estrutural e organizativa e já a mencionei anteriormente. A Coordenação do EP sedeada na Califórnia (CEP.CA), desenvolve o seu trabalho no seio das comunidades que serve, ou suficientemente perto delas, tendo sempre em conta o gigantismo das distâncias no Oeste deste país. Assim, pode contactar directamente todos os intervenientes no processo educativo (escolas, professores, alunos e pais), para além de ser uma interlocutora informada nos seus contactos com a administração escolar, a nível local, estadual e regional.

Para além disso, a CEP.CA assume-se como um serviço de interesse público e não somente como um cargo oficial, o que implica a introdução sistemática de inovação em outras três grandes áreas.

1. Área Pedagógica

A CEP.CA oferece apoio especializado em ensino de línguas estrangeiras, directamente a professores e escolas, incluindo desenvolvimento curricular, planificação e criação de materiais de ensino, desenvolvimento profissional e facilitação de parcerias com outras escolas do mundo lusófono. Para este apoio ser mais eficaz, a CEP.CA desenvolve projectos de colaboração com as escolas de acordo com um plano estabelecido conjuntamente. Ou seja, as escolas que possuem ou venham a desenvolver um projecto de desenvolvimento pedagógico, poderão receber um apoio direccionado e contínuo. Para iniciar o processo de colaboração basta contactar a Coordenadora Ana Cristina Sousa, acsousa@csustan.edu, 209-202-0980.

2. Área Tecnológica

A CEP.CA oferece cursos e oficinas sobre a utilização da tecnologia no EP, acompanhamento de projectos de intercâmbio entre escolas com apoio da internet, facilitação de comunidades virtuais de professores, alunos e pais, extensão do trabalho curricular em casa através de portais e sítios web onde se publicam e partilham materiais e experiências. Todos os professores, individualmente, ou em grupo, podem beneficiar desta componente de inovação, bastando contactar a Coordenadora Ana Cristina Sousa, acsousa@csustan.edu, 209-202-0980.

3. Área Científica

A CEP.CA divulga e integra em todas as suas actividades, os resultados mais recentes da pesquisa científica em ensino de línguas, utilização da tecnologia no ensino e formação de professores. Para além disso, realiza pesquisa directa em todo o universo educativo relacionado com o EP através de questionários e inquéritos, divulgando os seus resultados e facilitando a sua aplicação no terreno. Procede igualmente à avaliação sistemática de todos os projectos em curso com as escolas, motivando os professores participantes a tornarem-se parceiros e exemplos de boas práticas segundo um modelo de investigação-acção. Para usufruir desta área de intervenção da CEP.CA basta contactar a Coordenadora Ana Cristina Sousa, acsousa@csustan.edu, 209-202-0980.

Mesmo que esta enumeração de áreas de intervenção da CEP.CA pareça um pouco abstracta, posso dizer que já estão alguns projectos em marcha ou em fase adiantada de conceptualização. Destaco como exemplos, o projecto Piloto de Enriquecimento de Português (K-5) em curso na escola Elim Elementary, em Hilmar, o projecto de intercâmbio internacional que irá envolver as escolas secundárias de Tulare, Turlock, Hilmar e San Jose, tão bem como os contactos preliminares de preparação para a criação da credencial estadual para professores de português. Nada disto é ou será possível sem a colaboração de todos os intervenientes e apoiantes do EP, dos mais próximos aos mais distantes.

Mas as minhas últimas palavras de hoje são especialmente dirigidas aos meus colegas professores que neste momento do ano reiniciam as suas actividades lectivas, nos vários níveis de ensino e tipos de escola. Falei em cima dos nossos dotes de artista tão frequentemente esquecidos em favor de um rigor normativo e estandardizado no ensino. Disse que nos pesa investir tanto num segmento de vida de um grupo de alunos, para perdê-los de vista ao fim de alguns meses, tornando-nos transitórios nas suas jornadas de aprendizagem.

A minha proposta para os professores de português na Califórnia, eu incluída, é que tomemos como exemplo a cultura dos construtores das catedrais, mas com uma grande diferença. Hoje deslumbramo-nos ainda com o resultado da arte e esforço de milhares de canteiros, pedreiros, escultores, vitralistas, arquitectos e outros mestres, dos quais raramente alguém sabe o nome. Sabemos, no entanto, que se juntaram em comunidades profissionais, que passaram o seu saber de geração em geração e de forma organizada, e que acreditavam ser elementos chave, mesmo que anónimos, para o sucesso da obra final.

O edifício do Ensino Português ainda vai no começo. Cada professor tem um lugar de destaque nesta construção, cada um é conhecido por seu nome, todos fazem parte da mesma cadeia de talento e invenção. O meu aluno de hoje, será o teu aluno de amanhã e poderemos continuar a velar, em conjunto, na nossa comunidade profissional, para que a parte da sua trajectória de vida que se faz em português, seja a mais bem sucedida possível. Precisamos de ter ideias em conjunto, projectos em grupo, acções em comunidade e resultados que pertençam a todos.


E precisamos, sempre, que mais jovens rapazes e raparigas se deixem cativar pela doce língua portuguesa ao ponto de a quererem também ensinar.




05/09/2008

Portuguese Enrichment Project


A CEP.CA em colaboração com a escola Elim Elementary, de Hilmar, acaba de dar início à primeira edição piloto de um projecto de enriquecimento curricular que introduz a língua e cultura portuguesas desde a pré-escola (jardim infantil) até ao 5 º ano (K-5).

Este projecto apoia tanto escolas que já ensinam português (incluindo os 6º, 7º e 8ºs anos), como escolas que desejam enriquecer as suas ofertas educativas pela introdução de uma componente de Português Língua Estrangeira ou língua ligada à herança cultural dos alunos (heritage language).

A Coordenação oferece formação aos professores, materiais de ensino, acompanhamento científico e avaliação sistematizada.

Para mais informações, sobre este projecto, por favor contactar Ana Cristina Sousa, acsousa@csustan.edu, 209-202-0980.

Bom trabalho e um feliz início do novo ano lectivo 2008/09!

Projecto de Intercâmbio

A CEP.CA criou um projecto de intercâmbio internacional com base nas línguas portuguesa e inglesa, destinado a alunos e professores do ensino secundário. O projecto chama-se:

P E N interface

Portuguese-English International
Forum for Academic and Cultural
Exchange



Este é o logo do projecto:


Dentro em breve serão divulgadas mais informações sobre este projecto, nomeadamente abertura de inscrições, formas de participação e actividades.

21/08/2008

Adopt-a-Portuguese-school Logo

Aqui está o logo deste projecto. Que tal?

30/04/2008

Adopte-Uma-Escola-Portuguesa


Em Agosto de 1991 vim aos Estados Unidos pela primeira vez. Nessa altura, a Delta ainda voava directamente de Lisboa para Nova Iorque, a direito sobre o Atlântico. Embora novata no longo curso não fui a única a bater palmas - de alegria, ou talvez antes, de alívio - logo que a primeira roda do aparelho tocou a pista. Cumprimentava-se assim o piloto por uma aterragem suave.

Pois nessa visita inaugural, para além de Nova Iorque fui ainda a Washington, D.C., à Virgínia e à Luisiana, em companhia de uma amiga de Moçambique que estava mais habituada do que eu ao calor e à humidade. Como fiz alguns dos trajectos de carro, a certa altura dei por mim a ler nomes de grupos, empresas e outras organizações postos em letreiros à beira das auto-estradas. Enfim percebemos que aquilo queria dizer qualquer coisa como isto: daqui ali a limpeza desta estrada é paga por fulano, dali acolá está a cargo de cicrano, mais à frente de beltrano, e por aí adiante. E pensei - "Só na América ... quem teria pensado em dar troços de estrada para adopção? O pior é se ninguém se interessar pelas curvas, lombas e cruzamentos".

Por comparação, em Portugal, a manutenção das obras ditas públicas, não está a cargo desse mesmo público, mas sim do Estado ou das autarquias, os quais cobram impostos para o efeito. Claro que lá também há beneméritos, filantropos, patrocinadores, mecenas. Existe mesmo uma Lei do Mecenato, mas não me lembro de alguém propor - "Muito bem, a partir de agora esta estrada fica por minha conta entre o Km 30 e o Km 110; ponham aí o meu nome, se faz favor".

Aprender até morrer, lá diz o ditado. Voltei cá mais vezes; conheci a Califórnia e as suas estradas, também muitas delas "adoptadas". Assim, com o correr do tempo e o somar das milhas, a novidade do conceito foi para mim perdendo a estranheza. Mais ou menos como Fernando Pessoa dizia da Coca-Cola: "Primeiro estranha-se, depois entranha-se". Adopt-a-Highway é na verdade uma daquelas boas ideias práticas em que este país é fértil. É vantajosa do ponto de vista ambiental e comercial, sendo que as estradas ficam limpas sem custos para as cidades e os estados, e os doadores adquirem visibilidade e geram negócio através de publicidade bem colocada. Claramente uma situação do tipo "win-win" (ganhas tu e ganho eu).

Uma boa ideia não deve, porém, rolar sozinha. Aproveitemos o traçado já existente e projectemos-lhe uma paralela, uma nova avenida, o nosso próprio caminho. Gostaria, pois de lançar aqui uma iniciativa bastante semelhante ao assunto que iniciou este artigo, iniciativa a que vou chamar Adopte-Uma-Escola-Portuguesa (Adopt-A-Portuguese-School). No nosso caso, como estamos a falar de educação, o caminho é tanto real como figurativo, pois implica a existência de condições materiais para se realizar e de objectivos claros que indiquem a direcção em que se quer seguir.

O que é, então, e para que serve o projecto Adopte-Uma-Escola-Portuguesa?

1. Adopte-Uma-Escola-Portuguesa baseia-se no conceito de programas já existentes baseados no apoio directo por parte dos cidadãos à manutenção ou desenvolvimento de (infra)estruturas de reconhecida utilidade pública.
2. Adopte-Uma-Escola-Portuguesa, tal como o nome indica, é um projecto que visa contribuir para um Ensino Português de qualidade em todas as escolas (públicas ou privadas) onde já existam ou se venham a desenvolver programas desta natureza.
3. Adopte-Uma-Escola-Portuguesa é um projecto de participação voluntária, individual ou colectiva, em que os doadores escolhem a escola ou programa de Ensino Português que desejam apoiar, sendo as suas contribuições reconhecidas publicamente (embora eles mesmos possam escolher manter-se anónimos).
4. Adopte-Uma-Escola-Portuguesa será administrado pela Portuguese Education Foundation of Central California, enquanto organização educativa para fins não lucrativos, a qual criou uma conta bancária para esse efeito. O projecto contará ainda com a parceria da Coordenação de Ensino Português (CEP-CA), estando aberto à colaboração e envolvimento de outras instituições afins.
5. Adopte-Uma-Escola-Portuguesa tornará públicos os seus objectivos e metas anuais e dará contas dos resultados obtidos nas diversas escolas onde as doações forem investidas, sendo uma das suas prioridades a curto-médio prazo o equipamento de todas as salas de aula das Escolas Comunitárias com, pelo menos, um computador portátil com ligação à Internet.

Não querendo alongar-me mais por agora, já que esta é a primeira vez que estou a apresentar o projecto "Adopte-Uma-Escola-Portuguesa" de forma articulada, vou terminar com três sugestões:

- Se a matéria deste artigo lhe despertou curiosidade e tem o desejo de saber mais sobre o assunto, por favor contacte-me através dos emails adopt.a.portuguese.school@gmail.com ou acsousa@csustan.edu;

- Se já ficou tão motivado(a) a participar e quer ser dos primeiros(as) a inscrever-se neste projecto, envie um email para adopt.a.portuguese.school@gmail.com mencionando:

a. Nome
b. Morada para correspondência
c. Telefone e Telemóvel
d. Escola que deseja apoiar

- Se é professor(a) ou director(a) de uma Escola Comunitária e está interessado(a) em que esta seja apoiada (adoptada), por favor envie um email para adopt.a.portuguese.school@gmail.com indicando:

a. Nome
b. Função exercida na escola
c. Morada para correspondência
d. Telefone e Telemóvel
e. As 3 principais necessidades da sua escola.

Obrigada.