5 de Nov de 2009

Celebrando o São Martinho

Diapositivos sobre as tradições de São Martinho. Para aumentar as imagens clicar sobre cada uma.

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25 de Jul de 2009

Novas perspectivas para o Ensino Português na Califórnia III

É preciso uma aldeia para educar uma criança | It takes a village to raise a child


Esta frase tem-se tornado cada vez mais popular entre aqueles que acreditam que a educação das novas gerações, ontem como hoje, não é só um dever dos pais, da escola, da igreja, ou do estado, mas sim uma tarefa colaborativa e uma responsabilidade que vincula a sociedade em geral. Olhada deste modo, a educação diz respeito a todos, tenham ou não filhos e netos a estudar. Todos somos educadores, todos podemos participar, todos podemos fazer a diferença no desenvolvimento das nossas crianças e jovens. Ou pelo menos podemos tentar.

No caso do Ensino Português a aceitação consciente deste desafio social e cívico torna-se ainda mais necessária e evidente. Penso não ser novidade nenhuma afirmar que a utilização e o conhecimento da língua portuguesa está em declínio na Califórnia. A continuar o actual estado de coisas, o Português como língua de comunicação e intercâmbio nas famílias, nas associações, no mercado de trabalho morrerá com o desaparecimento progressivo das gerações mais velhas. De quem é a culpa? A culpa não é de ninguém em particular, mas é de todos em geral.

Por um lado, existem forças poderosas em actuação na sociedade americana (como aliás em outras sociedades multi-étnicas) que podem constituir sérios obstáculos à sobrevivência de uma língua e cultura minoritária como o Português. Todas as minorias sentem a pressão da aculturação e da assimilação e esta luta é geralmente ganha pela tendência maioritária (main stream) em apenas 3 gerações - os netos dos imigrantes já não falam (pelo menos com a fluência desejável) a língua dos seus avós. Por outro lado, mesmo aqueles que tentam resistir a essa perda das raízes e da identidade, sentem muitas vezes baldados os seus esforços quando os jovens a elas renunciam de tão boa vontade, inconscientes do seu empobrecimento linguístico e cultural.

No entanto, o apagamento progressivo das línguas de imigração não está escrito nas estrelas, não faz parte de um destino amaldiçoado, nem é uma perda irreparável. Tal como acontece em muitos lugares do mundo (e Portugal é cada vez mais um deles) existem sociedades em que se fala mais do que uma língua, acontecendo que estas podem ter igual estatuto enquanto línguas oficiais (na Europa, o caso da Suíça é paradigmático). A coexistência de várias línguas na sociedade e nos indivíduos que a constituem implica uma ordem de conceitos diferentes da assimilação forçada, tais como o respeito e o gosto pela individualidade e a diferença, a crença no grande poder de aprendizagem da mente humana e a possibilidade de cada um poder assumir vários papéis, ter diferentes grupos de pertença e transitar de uns para outros sem prejuízo da sua auto-imagem.


Dos 16 anos que já levo de conhecimento das comunidades luso-descendentes da Califórnia, e procurando eu mesma o equilíbrio entre as duas línguas e culturas a que mais sou exposta, penso não errar muito ao afirmar que existe entre os educadores (principalmente pais e professores) um grande desconhecimento das possibilidades que ainda nos restam para contrariar a inércia linguística presente, de tendência monolingue com predominância do Inglês. Por exemplo, quantas vezes observo que estando dois adultos de origem portuguesa conversando na sua língua, logo que se dirigem a uma criança ou jovem mudam para Inglês sem reparar ou, falando com a criança ainda em Português, logo traduzem para Inglês. Porque razão tendem as pessoas a falar em Inglês com o meu filho quando ele foi criado em Portugal? Será por pensarem que após 2 anos na escola americana ele já devia ter perdido a sua língua materna? Mas o caso mais espantoso para mim é, isso sim, a capacidade que muitos já adquiriram de na mesma frase dizerem palavras alternadas em Português e Inglês, com uma fluência invejável naquilo a que se costuma chamar portinglês.


Para alterar estas situações teremos de conhecer alternativas, fazer conjuntamente um esforço consciente para não perder as oportunidades que ainda se oferecem e contrariar maus hábitos adquiridos. A sobrevivência de qualquer língua reside em dois simples princípios que se reforçam mutuamente: a motivação dos falantes para a sua aprendizagem e a ocasião para o seu uso. Motivar e utilizar. Quanto maior motivação, maior utilização e vice-versa.


Encontrar estratégias individuais, familiares e comunitárias para a sobrevivência do Português na Califórnia é na verdade o grande desafio enfrentado pelo Ensino Português. Embora as políticas de língua pensadas em Sacramento ou Lisboa possam vir a contribuir ou facilitar a permanência e a expansão do Português no sistema de ensino na Califórnia, dificilmente Portugal pode criar mais cursos nas escolas públicas deste estado, cuja ausência se criticava num artigo recente do jornal Emigrante/Mundo Português. Essa tarefa só pode caber às próprias comunidades, grupos de pais e educadores que, agindo directamente junto dos distritos escolares das suas áreas de residência, peçam a criação de opções de Português. Mas para isso também será preciso formar uma nova geração de professores que queiram assegurar o futuro de novos programas, para além de se conseguirem os fundos que permitam o seu desenvolvimento. Em suma: Advocacia, Formação de Professores, Investimento no Ensino Português.


É minha convicção de que as comunidades luso-americanas na Califórnia estão realmente interessadas em assegurar a continuidade da sua herança linguística e cultural (e uma não vive sem a outra) e integrar por direito a comunidade mais vasta do mundo lusófono. E acredito que estão preparadas para enfrentar esse desafio com os seus próprios meios, encontrando parceiros e colaboradores para os seus projectos locais e regionais. Nesse sentido a Coordenação do Ensino Português propõe para este próximo ano lectivo de 2009/2010 três princípios estratégicos que vão guiar os seus projectos de desenvolvimento. São esses princípios:

I. PARCERIA

A CEP.CA define-se como parceira natural de várias instituições no contexto educativo na Califórnia, apoiando escolas, professores, alunos e famílias, incluindo a atribuição de bolsas e ofertas de material de ensino e cultura. No entanto, não possui um estatuto legal no contexto americano que lhe permita actuar como entidade pública e potenciar o seu investimento no Ensino Português (EP).

A formalização de parcerias com instituições educativas luso-americanas para fins não lucrativos, permitir-lhe-á realizar projectos que envolvem a angariação, gestão e distribuição de contribuições monetárias por parte de indivíduos e organizações, aplicáveis directamente em programas de EP (dedutíveis no IRS). Ou seja, o investimento directo que Portugal faz no EP na Califórnia através da Coordenação, pode ser melhor rentabilizado e reforçado pelo envolvimento das comunidades e instituições locais, as quais, ao tornarem-se parceiras da CEP.CA, tornam-se, simultaneamente, co-responsáveis na sua acção.

Em Setembro de 2009 será lançado o projecto ADOPT-A-PORTUGUESE-SCHOOL ao qual as escolas, professores e alunos poderão candidatar-se através da apresentação de projectos de desenvolvimento e formação. Por seu lado, todos os indivíduos, associações, empresas, etc. interessados em apoiar directamente o EP poderão fazer uma contribuição (desde $5) para um programa ou escola da sua eleição, que passam a adoptar. No final do ano lectivo será contabilizado o investimento total efectuado pela CEP.CA e pelas comunidades no EP, serão publicados os resultados e publicamente distinguidos os 3 mecenas mais generosos.

II. PROMOÇÃO

No momento em que Portugal desenvolve uma campanha de renovação da sua imagem no mundo, promovendo o talento nacional e procurando dar a conhecer o seu carácter distintivo, são de aproveitar essas sinergias em todos os contextos onde se promove a lusofonia. Tanto as populações luso-descendentes, como a sociedade americana no geral, desconhecem muitas destas novas perspectivas sobre Portugal e os portugueses.

As escolas, os professores e as famílias podem conjuntamente desenvolver e promover o talento local numa perspectiva de integração global. Deste modo, a promoção do bilinguismo activo e equilibrado (Português e Inglês) é não só um caminho por excelência para a valorização da herança linguística e cultural, como também acentua os seus potenciais benefícios futuros para as novas gerações, principalmente nos campos da educação e do trabalho. Por essa razão, o recentemente criado selo da CEP.CA contém um dístico latino ("ex familia verbum", da família vem a língua) que chama a atenção para a importância do papel da família e da comunidade no seu todo para o legado e manutenção da língua.


Neste âmbito vai ser lançado até final de Outubro de 2009 o primeiro Clube de Pais e Professores (presencialmente e na internet) que pretende estudar as questões do bilinguismo, trocar materiais, ideias e estratégias para utilizar na família e comunidade e promover a motivação para os jovens falarem mais Português entre si, com os adultos e online. Este modelo será estendido a todas as comunidades na Califórnia que mostrarem interesse em criar o seu próprio Clube.


III. PARTILHA


O desenvolvimento de uma cultura de colaboração entre todos os profissionais da educação é um dos grandes objectivos transversais da Coordenação. Dados os primeiros passos no ano passado, pretende-se avançar agora mais ágil e eficazmente na circulação, disseminação e partilha de recursos e materiais produzidos pelos próprios professores, os quais, publicados em suporte electrónico, poderão ser reutilizados e adaptados em diversos contextos de ensino (ver por exemplo PORTULAN 1 e PORTULAN 2).


Para além disto, com a recente aprovação dos novos World Language Content Standards pelo Departamento de Edução da Califórnia, pode-se avançar na criação de um currículo comum de trabalho para o EP no 1º, 2º e 3º ciclos do Ensino Básico. A partilha destes instrumentos de trabalho entre escolas de ensino público e comunitário, permitirá planear sequências mais longas de EP, desde o nível pré-escolar até ao secundário, ganhando o Português um prestígio consentâneo com o seu estatuto de língua global.


Assim, vai continuar a desenvolver-se a comunidade de aprendizagem e prática PORTULANO (Portuguese Language Network Online), centrada no desenvolvimento profissional e qualificação profissional e de programas, com presença na internet através de uma rede de sítios.

Embora estes projectos venham a ser posteriormente descritos em mais promenor, quem desejar informações adicionais pode enviar um email a Ana Cristina Sousa para acsousa@csustan.edu ou portulan.online@gmail.com.

Novas perspectivas para o Ensino Português na Califórnia II

Balanço do ano lectivo de 2008/2009

Antes de apresentar os projectos para o ano lectivo de 2009/2010 da Coordenação de Ensino Português na Califórnia e outros estados ocidentais (CEP.CA), gostaria de referir aquilo que foi feito até agora no âmbito desta estrutura de apoio técnico e pedagógico que, contando já com praticamente dois anos de existência, continua no entanto a constituir uma inovação no panorama educativo deste estado e um interessante modelo de Coordenação sem paralelo noutros contextos.

O principal traço inovador desta Coordenação é o facto de ter a sua sede numa universidade (California State University, Stanislaus em Turlock) e não num consulado (ou embaixada), sendo regida por um Memorando de Entendimento (Memorandum of Understanding) assinado pelo Governo Português e representantes daquela instituição, o qual compreende, para além das obrigações de serviço contidas na lei portuguesa, várias outras incumbências de ensino e desenvolvimento curricular inexistentes noutras coordenações. Tendo colaborado na definição deste perfil de coordenação, eu própria aceitei assumir maiores responsabilidades numa área que considero ser um prolongamento do meu anterior trabalho como leitora de língua e cultura portuguesas na mesma universidade onde, na década de 90, criei e organizei o currículo de Estudos Portugueses.

Por outro lado, no seguimento dessa minha primeira estada na Califórnia - importantíssima etapa da minha vida profissional e pessoal -, tenho vindo a desenvolver um trabalho de investigação e de intervenção pedagógica no âmbito da formação de professores de Português Língua Estrangeira com apoio das tecnologias que, enquanto Coordenadora, posso melhor traduzir na prática. Toda a minha experiência profissional tem a ver com o ensino, a formação e o desenvolvimento de currículos e professores, e pouco com a administração de pendor burocrático. Penso trazer uma mais-valia importante ao Ensino Português na Califórnia, pois o meu já longo relacionamento com este contexto permite-me ter a perspectiva histórica de uma realidade que me é muito próxima mas, ao mesmo tempo, pelo facto de não me ter aqui estabelecido definitivamente, é-me possível uma certa independência e distanciamento crítico que me ajuda a pensar e propor um futuro alternativo para o lento apagamento que a língua portuguesa está a sofrer neste estado.


Tendo pois sido feita a instalação e divulgação das estruturas da CEP.CA durante o seu primeiro ano de vida, as actividades de apoio técnico e pedagógico aprofundaram-se no ano lectivo de 2008/2009 com o desenvolvimento de acções e projectos junto de escolas, professores, alunos e famílias, de acordo com os princípios estratégicos definidos:
  1. Desenvolvimento de relações pessoais e profissionais de confiança e proximidade;
  2. Criação de um sentido de pertença a uma comunidade de prática e aprendizagem em torno do Ensino Português;
  3. Promoção de uma cultura de colaboração e partilha entre todos os profissionais no terreno, independentemente da sua formação e qualificação.
Seguindo estes princípios enumeram-se as principais acções desenvolvidas no ano lectivo passado:

  • Visitas a áreas escolares onde existem ou se pretendem criar ofertas de Ensino Português.
  • Contactos pessoais com administradores, professores, alunos, famílias e representantes das instituições comunitárias nos seus locais de trabalho e residência.
  • Levantamento das necessidades, problemas e possíveis soluções.
  • Curso online e presencial de formação de professores . Jornada de formação de professores no âmbito da conferência anual da Luso-American Education Foundation.
  • Apoio pedagógico presencial e regular a professores nas suas escolas; assistência a aulas e modelação de aulas, em vários níveis de ensino; consultadoria e apoio a projectos de professores e escolas.
  • Atribuição de bolsas de formação a professores e alunos.
  • Criação e partilha de material didáctico e desenvolvimento de portais de recursos online.
  • Oferta de material pedagógico, livros, etc.
  • Conceptualização e introdução do Portuguese Enrichment Project que introduz segmentos de Ensino Português no currículo de escolas públicas do ensino básico (Elementary School) e 2º ciclo (Middle School).
  • Realização do projecto PEN interface, que promove o intercâmbio entre turmas e professores do ensino secundário na Califórnia e Portugal.
  • Participação em actividades de carácter cultural e de divulgação em escolas e comunidades. . Apresentação de comunicações e realização de oficinas em conferências da especialidade sobre o trabalho desenvolvido na Califórnia, nomeadamente na introdução de novos materiais e tecnologias no ensino.
  • Estabelecimento de relações de trabalho com editoras, sobretudo de materiais bilingues.
Não esquecendo que a CEP.CA é na verdade uma estrutura unipessoal condicionada pela capacidade diária de trabalho de uma só pessoa (a Coordenadora é a sua única funcionária técnico-pedagógica e administrativa), penso poder afirmar que a Coordenação se pode hoje afirmar como um parceiro importante no panorama do Ensino Português na Califórnia, estando actualmente em marcha o desenvolvimento de colaborações e parcerias com outras organizações e individualidades para de forma mais eficaz e célere levar a cabo os seus projectos no próximo ano lectivo. Esse será precisamente o assunto do próximo artigo.

Novas perspectivas para o Ensino Português na Califórnia I

Estou a escrever-vos da praia do Furadouro, freguesia e concelho de Ovar, distrito de Aveiro, Portugal. Desponta o dia e o mar rola em vagas que os surfistas matutinos estudam com atenção. Um casal sozinho apoderou-se de todo o areal enquanto um pescador à linha passa com a longa cana ao ombro. Da minha janela não consigo ver se os barcos de proa esguia já voltaram da faina da pesca. Mas as gaivotas darão sinal. Estou de férias, em minha casa. E é melhor fazer agora provisão de todo o Atlântico que puder, pois vai-me fazer falta quando regressar à Califórnia.

De férias é como quem diz. Continuo comunicável, em actividade, missão contínua. Aproveito o tempo para fazer um balanço de quase dois anos de existência da Coordenação do Ensino Português na Califórnia (CEP.CA). E preparar o próximo ano lectivo, mesmo à porta, regressando ao trabalho com o calor de Agosto, quando a maioria dos professores em Portugal inicia o veraneio. Online leio artigos nos jornais das comunidades sobre o Ensino Português nos Estados Unidos. É interessante estar tão perto aqui tão longe. Frequentemente se entrevistam as mesmas pessoas, de ambas as costas; não raro expressando os mesmos pontos de vista ... ou quase. Para além da tão repetida frase sobre a "falta de uma política de ensino por parte do Governo Português”, parece-me que começo a ouvir uns sopros de alteração do discurso. Embora dito por outras palavras fala-se da necessidade de se qualificar o ensino comunitário privado através da formação de professores e talvez mesmo da alteração dos horários das classes, a par da crescente integração do Ensino Português nas escolas públicas, a todos os níveis. Agrada-me esta re-orientação de perspectivas, pois estes são na verdade dois dos grandes objectivos do plano estratégico de acção da CEP.CA.

Quando se afirma repetidamente que não há uma política de governo para o Ensino Português no Estrangeiro está-se a esquecer um facto importante que só por vezes aparece mencionado de passagem em alguns meios de comunicação. A existência actual de duas coordenações regionais para o Ensino Português nos EUA é inquestionavelmente uma escolha de política educativa (no sentido de policy) e representa a vontade de melhor adequar e articular o investimento que essas estruturas implicam por parte de Portugal aos contextos em que estão implantadas.

Não caindo na imprecisão de afirmar a inexistência de algo que continua a produzir efeitos, podemos, evidentemente, continuar a achar essa política insuficientemente articulada ou eficaz. Idealmente pode dizer-se que uma política é enunciada e definida nos seus diplomas legais, após o que é posta em prática, sendo os resultados dessa aplicação avaliados ao longo do seu tempo de vigência. Esses resultados podem vir a suscitar a necessidade de introdução de alterações em vários dos seus aspectos, ou mesmo a sua total revisão ou suspensão.

Uma política é, pois, um processo e não um objecto uno e acabado, e só se traduz na prática através de pessoas que actuam e interagem em contextos específicos. Por isso, tanto é necessário ter uma política tão bem articulada quanto possível, como actores que imaginativamente a transponham para o terreno e, em retorno, possam melhorar a sua eficácia através da avaliação dos resultados obtidos.

Como acima referi, torna-se assim evidente que a própria criação das Coordenações de Ensino Português se deve ao dispositivo de uma política, e que uma das responsabilidades destas estruturas deve ser dar corpo e levar à prática os seus princípios gerais. Em consequência, a minha primeira incumbência como Coordenadora do Ensino Português na Califórnia, ainda antes de partir de Portugal, foi a de elaborar um Plano de Actividades (incluindo orçamento), o qual considero ser um plano estratégico de acção, avaliado e reeditado anualmente, reflectindo o meu crescente conhecimento do terreno, das pessoas e dos seus desafios, e propondo uma visão orientadora para o Ensino Português através de projectos de desenvolvimento. Qual é pois a intervenção mais evidente da política do Governo Português, aquela que directamente interessa a escolas, professores, pais e alunos, nomeadamente na Califórnia? É precisamente a que é articulada no Plano de Actividades da Coordenação.

É pois de recomendar aos representantes dos media, das comunidades e associações que observem com mais cuidado não só a evolução e crescente capacidade de actuação das novas Coordenações de Ensino Português nas duas costas, como procurem conhecer em primeira mão, através das próprias Coordenadoras, os seus projectos. Uma das suas importantes missões é o de informar melhor os destinatários da política de que tanto se fala, e pugnar pelo direito de estes a poderem melhorar através dos meios já existentes, ou a criar, para o efeito. O exercício deste direito cívico implica, no entanto, um posicionamento diametralmente oposto ao negativismo até aqui preponderante, pois exige um empenhamento pró-activo de todos os intervenientes na procura de soluções e alternativas, as quais, como em todos os processos humanos, só se conseguem laboriosa e persistentemente no dia-a-dia e geralmente longe das manchetes dos jornais.

A viragem da opinião pública sobre os problemas realmente importantes enfrentados pelo Ensino Português na Califórnia e outros estados é absolutamente necessária para permitir a abertura de novos caminhos e possibilidades. E estes caminhos não são só físicos e palpáveis, como a introdução de novos materiais, metodologias e tecnologias de ensino e aprendizagem, mas sobretudo mentais e conceptuais, implicando novos canais de relacionamento entre pesssoas e instituições e diferentes maneiras de fazer as coisas. Até há pouco tempo, a maioria das iniciativas de pessoas e instituições no âmbito do Ensino Português, por mais meritosas e bem sucedidas que tenham sido, sofreram de uma desvantagem básica - eram actividades não orgânicas, desconexas e sem um projecto de investimento comum. Ou seja, o Ensino Português na Califórnia carecia de uma visão concertada que permitisse aos vários intervenientes e interessados unirem os seus esforços para atingirem um fim comum. A missão da CEP.CA é contribuir decisivamente para a realização dessa visão, ou seja, nada mais nada menos do que a sobrevivência e perpetuação da língua e cultura de raiz portuguesa na Costa do Pacífico dos Estados Unidos.

O Plano de Actividades e princípios estratégicos da CEP.CA para o ano lectivo 2009/2010 serão apresentados em próximos artigos.

O Plano Nacional de Leitura e Livros Digitais



O Plano Nacional de Leitura -- LER+ -- tem um sítio na internet que os pais e educadores interessados no Ensino Português devem conhecer. Lá podem encontrar títulos de livros recomendados, ideias para explorar a leitura com crianças e jovens, materiais de apoio e até LIVROS ELECTRÓNICOS. Visite, inscreva-se e use!

Os portais de recursos PORTULAN 1 e PORTULAN 2 apresentarão em breve mais sugestões de exploração e utilização destes materiais, incluindo algumas versões em inglês.

15 de Jul de 2009

Portal das Escolas

"O Portal das Escolas é uma nova plataforma digital de referência das escolas em Portugal, em que professores, alunos, pais e encarregados de educação podem encontrar os principais serviços em linha relacionados com a vida nas escolas."

Principais funcionalidades do Portal das Escolas

No Portal das Escolas, poderá encontrar as seguintes funcionalidades principais:

  • Recursos educativos
    Através da área 'Recursos', o Portal das Escolas disponibiliza conteúdos educativos que podem ser utilizados no ensino. Este repositório de recursos educativos digitais pode incluir textos, imagens, vídeos ou músicas. Os utilizadores registados podem ainda introduzir recursos no portal;
  • Roteiro das escolas
    Na área 'Escolas', o utilizador poderá consultar informação de caracterização dos estabelecimentos de ensino nacionais portugueses;
  • Notícias e eventos da Educação
    Na área 'Notícias', pode consultar notícias e eventos sobre temas da educação.

NOTA:
Os professores de Português no estrangeiro poderão eventualmente aceder e registar-se como utilizadores deste portal. Informações sobre este assunto estarão disponíveis dentro em breve. Por favor contactar a Coordenadora.

ePostal de Lisboa


Aceder

Chegar a Lisboa em Junho após quase um ano de ausência é sempre um prazer cheio de surpresas. Junho é um mês buliçoso, o culminar da temporada antes das prometidas férias de Verão, altura em que Lisboa pode então fazer a sesta ao fresco da brisa ribeirinha.

E que lindo é o Tejo ali perto das Docas de Alcântara. O Centro de Congressos de Lisboa foi um sítio bem escolhido para ir ouvir novidades sobre o Plano Tecnológico da Educação (PTE) que o Governo Português está a desenvolver com o intuito de "colocar Portugal entre os cinco países Europeus mais avançados ao nível de modernização tecnológica do ensino".

O "Fórum de Lisboa sobre TIC e Inovação na Educação" (Lisbon Forum on Innovative Approaches to ICT in Education) foi organizado pela Coordenação do PTE (Ministério da Educação) nos dias 18 e 19 de Junho, reunindo prestigiadas personalidades nacionais e internacionais, para além da participação da Ministra da Educação na sessão de abertura.

Eis a minha primeira surpresa: a elevada qualidade do serviço prestado aos participantes, totalmente gratuito, incluindo tradução simultânea, lanches e o almoço de sexta-feira.

A minha segunda surpresa: o público era constituído por uma maioria de professores portugueses das escolas públicas até ao ensino secundário.

A minha terceira surpresa: pela primeira vez desde meados dos anos 90, quando comecei a conviver com a tecnologia no ensino e a participar em congressos semelhantes, senti que em Portugal se está a formar uma comunidade profissional de educadores (e não só de académicos) com quem finalmente poderei passar a discutir estes temas a partir de uma realidade comum, ainda que com experiências diferentes. É na verdade agradável ver assim validados os nossos esforços após anos de trabalho mais ou menos solitário.

Só por isso valeu a pena a visita. E não tive nenhum pejo em dizer publicamente à audiência o como me sentia orgulhosa em poder regressar à Califórnia e apresentar o caso português como um exemplo a ter em conta em matéria da utilização das tecnologias no ensino e formação de cidadãos do século XXI.

No entanto, não fui só eu a gabar o avanço e o esforço do investimento tecnológico português no ensino. Repetidamente os oradores estrangeiros o fizeram. E esta foi a minha quarta surpresa: pela primeira vez vi em acção uma parceria constituída pelo governo de um país (Portugal) e três das maiores corporações do mundo em matéria de tecnologia: a Cisco, a Intel e a Microsoft. E se esses senhores dizem que Portugal já é um estudo de caso, então é porque deve ser mesmo.

Na verdade, Portugal é um dos membros fundadores do projecto internacional "Avaliação e Ensino das Competências do Século XXI" (Assessment and Teaching of 21st Century Skills Project) , conduzido pela Universidade de Melbourne, a par da Austrália, Finlândia, Singapura e Reino Unido. Entre os objectivos deste projecto contam-se o desenvolvimento de um sistema de testagem por meio de computador das competências interdisciplinares dos alunos nas áreas da resolução de problemas, habilidades de adaptação, criatividade e capacidade para o trabalho colaborativo.

Pensando na tão diferente realidade tecnológica da maioria das escolas públicas e comunitárias na Califórnia, e no modo como poderemos vir a usufruir das sinergias recentemente criadas em Portugal, aproveitei ainda a participação neste fórum para me apresentar pessoalmente ao Coordenador do PTE, Dr. João Trocado da Mata, e saber novidades sobre a anunciada possibilidade de os alunos dos níveis elementares envolvidos no Ensino Português (EP) poderem vir a receber o computador portátil Magalhães, tal como está a acontecer com os seus colegas em Portugal.

A resposta não foi um inequívoco sim, mas delineou as possibilidades da sua concretização. Também em relação a este tipo de equipamento o Governo Português estabeleceu parcerias com terceiros, neste caso as operadoras de comunicações móveis, as quais fornecem também a ligação à internet. Assim, coloca-se a questão de saber se as operadoras portuguesas vão ou não estabelecer, por seu lado, parcerias com as operadoras americanas locais, permitindo a entrega desses computadores às crianças.

Embora não me pareça ser de todo impossível a realização destas intenções, tomando como exemplo as parcerias internacionais que referi acima, parece-me que o processo poderá ser muito moroso se não for ajudado pelos próprios cidadãos a quem se destina este benefício. Aqui ficam duas sugestões.

Por um lado, as comunidades luso-americanas na Califórnia poderão encontar uma forma de pressão política sobre decisores e agentes económicos através dos seus representantes (nomeadamente o Conselho das Comunidades), de forma a apressar o processo de entrega dos portáteis Magalhães.

Por outro lado, as comunidades e associações luso-americanas podem simplesmente adoptar a ideia e criar o seu próprio programa "Magalhães", contribuindo para a aquisição e distribuição de equipamento e materiais de ensino às escolas e alunos EP. A realização de um projecto local autónomo não depende de qualquer factor ou interveniente externo, mas somente do interesse e envolvimento de todos os que desejam oferecer as melhores oportunidades educativas às gerações mais jovens.

É nesse sentido que a Coordenação do Ensino Português (CEP.CA) vai lançar em Setembro o projecto ADOPT-A-PORTUGUESE-SCHOOL (Adopte-uma-Escola-Portuguesa) em parceria com associações educativas luso-americanas, o qual permitirá identificar exactamente as necessidades educativas de todas as escolas, professores e alunos EP na Califórnia, e reunir os esforços e contribuições de todos os que acreditam que a língua e a cultura Portuguesas também são um valor das comunidades luso-americanas.