3/Dez/2008

Paz na Terra

O Presépio é uma constante da tradição portuguesa nesta época Natalícia. Os presépios podem ser um belo motivo para o desenvolvimento do conhecimento sobre a cultura e a língua, para além de poderem ser um ponto de partida para o aprofundarmento da sensibilidade estética das crianças. O contexto é, à partida, excelente.

Aqui está um exemplo de material apropriado para exploração com crianças do Ensino Básico. O suporte electrónico permite o seguinte:

Fase 1: Apresentar o material em formato slide, sem música. Explorar o contexto cultural e linguístico. Motivar os alunos a lerem em coro; fazer repetições individuais.

Fase 2: Apresentar o material em formato revista, com música (clicar no ícon em baixo, à esquerda para activar o som) e convidar os alunos a lerem silenciosamente e apreciarem as imagens.

15/Out/2008

Conferência na Universidade de Toronto

Entre os dias 16 e 18 de Outubro vai realizar-se na Universidade de Toronto, no Canadá, a conferência "Ensino de Português nas Universidades da América do Norte: situação e desafios".

Apresento abaixo os slides de suporte à minha comunicação: Ferramentas de acesso livre para o ensino e aprendizagem do Português.

26/Set/2008

Ensinar Português no Século XXI


Como se prepara hoje em dia um professor para ensinar Português a falantes não nativos? E mais especificamente, que competências devem os professores desenvolver para ensinar na Califórnia, não só a crianças, jovens e adultos luso-descendentes, mas também a falantes de outras línguas, sobretudo inglês e espanhol?

Imaginemos um(a) jovem que completa este ano lectivo o seu curso universitário e deseja ensinar Português no ensino secundário público. Se frequenta uma das poucas universidades que oferecem uma licenciatura em Estudos Portugueses (Major) poderá estar mais perto de realizar o seu sonho, mas ainda assim não poderá obter uma credencial estatal específica para a disciplina (Single Subject Teaching Credential), pela simples razão de que ela não existe. Não admira, por isso, que nos debatamos com um défice no número de profissionais qualificados que permita, por um lado, manter os programas existentes e, por outro, expandir a oferta com a criação de novos programas.

Recentemente, porém, parece ter sido criada uma via para a resolução do problema da falta de credencial para professores de Português. A exemplo do que já aconteceu anteriormente em relação a línguas como o Hmong, Cantonês, Árabe e Farsi, entre outras, a Comissão para a Certificação de Professores (California Commission on Teacher Credentialing) vai permitir a criação de um exame que ateste as competências dos professores de Português, chamado CSET: LOTE (California Subject Examinations for Teachers: Languages Other Than English Examinations). No entanto, embora teoricamente se tenha aberto esta importante janela de oportunidade, nem o processo de candidatura das instituições que deverão administrar o exame foi posto em marcha, nem se conseguem ainda identificar os interlocutores no Departamento de Educação que poderão promover directamente esta causa.

A curto e médio prazo, a resolução desta questão deve ser encarada como central na agenda do Ensino Português na Califórnia. E como "ave só não faz ninho" gostaria de pedir a todos os que se interessam pelo futuro da educação da comunidade luso-americana que não perdessem a oportunidade de demonstrarem publicamente o vosso desejo de verem resolvido este assunto, informando igualmente os vossos representantes políticos do mesmo.

Por seu lado, a CEP.CA, para além de vir a contribuir directamente na elaboração do referido exame, e em antecipação a outros cursos de preparação que poderão criar-se no futuro, está neste momento a oferecer uma oficina certificada de desenvolvimento profissional para professores de Português. O título da oficina é:

Teaching Portuguese in the 21st Century
~ Principles, Practices and Tools
~

Corresponde a 4 Unidades de Crédito ($40 por unidade) atribuídas pela California State University, Stanislaus (Extended Education). A oficina vai realizar-se segundo um modelo híbrido (20 horas presenciais e 40 horas online) e inicia-se a 27 de Outubro, terminando a 6 de Março, incluindo pausa para as férias de Natal.

As instituições de ensino onde existem programas de português (todos os níveis) receberão por correio informações adicionais. Para efectuar a pré-inscrição ou para outras informações, por favor contactar Ana Cristina Sousa através do telemóvel 209-202-0980 ou email acsousa@csustan.edu.

As inscrições são limitadas a 24 participantes (locais, nacionais e internacionais). O programa está disponível aqui.

Caro/a professor/a de Português, contamos consigo!

18/Set/2008

Poster de promoção da CEP.CA

Portuguese. It's a lifestyle.



Para ver uma versão mais ampliada clicar na imagem ou no título deste post.

Para quem quiser obter cópias no formato original (11.25" x 17.30" ou 286mm x 439mm), pode contactar-me directamente.

Quer ganhar um poster gratuito? Então responda a este post dizendo qual o destino para onde se dirige o rapaz que está à boleia. As iniciais escritas no papel são "L.A.", mas Los Angeles, não pode ser, pois o destino tem de se relacionar com o mundo de fala portuguesa. A melhor entre as primeiras 10 respostas, recebe o poster gratuitamente (por favor indicar um email de contacto).

15/Set/2008

Brochura da CEP.CA (versão inglesa)

Está pronta para ser enviada por correio, mas poderá ser descarregada e impressa a partir da internet (dobrar em três; guias de dobragem na página 1).

10/Set/2008

Regresso às aulas


Quando eu andava na escola, e mais tarde no liceu, era o regresso às aulas, no início de Outubro, que marcava o verdadeiro começo do Outono. Naqueles dias dourados, o cair das folhas amarelecidas era o ritual que suavizava o fim das Férias Grandes, dos três longos meses de campo, mar e visitas à família na província. Era bom caminhar para a escola nas manhãs frescas, com a pasta às costas, os livros com cheiro a novo, lápis afiados, cadernos de linhas e quadradinhos.

Hoje recomeça-se mais cedo - é Verão ainda e parece um perfeito contrasenso. Que sinal anuncia hoje às crianças o primeiro dia de escola, qual a linha de água entre férias e aulas? Provavelmente são os anúncios das promoções de material escolar das grandes superfícies. Imagino o meu filho daqui a uns anos a dizer: "Lembras-te mãe da confusão que havia no corredor dos dossiers no Wal-Mart? Bons tempos".

Para os professores, percebi-o mais tarde, as coisas passam-se de modo diferente. Somos agora nós os adultos, o tempo tornou-se num grande contínuo e entre trabalho e férias às vezes nem se nota muito a diferença. Por isso, quando começa um novo ano lectivo, não dizemos "Ano Novo, Vida Nova". No geral pedem-nos somente que voltemos a reencenar as pautas e guiões dos anos transactos, com novos actores, ou nem tanto assim. Esse é um dos grandes desalentos que assaltam o professor na escola pós-industrial: a evidência de que os seus alunos nunca crescem e a sua obra nunca está terminada. Raros os que sentirão, com um misto de orgulho e humildade, que o discípulo suplantou o mestre. Então, o bom professor, que tem tanto de saber, como de talento e invenção, pode ver-se roubado da sua dimensão de artista.

Porém, há maneiras de fazer descarrilar um pouco essas rotinas, juntando-lhes umas curvas ousadas, uns trajectos menos usuais, uns voos mais audazes. Na gíria profissional chamamos a isso inovação. Falar de inovação dá pano para mangas, claro, mas o que me interessa aqui são algumas componentes de inovação que estão a ser introduzidas no Ensino Português (EP), primeiro na Califórnia, e seguidamente em outros estados ocidentais.

Uma das componentes é estrutural e organizativa e já a mencionei anteriormente. A Coordenação do EP sedeada na Califórnia (CEP.CA), desenvolve o seu trabalho no seio das comunidades que serve, ou suficientemente perto delas, tendo sempre em conta o gigantismo das distâncias no Oeste deste país. Assim, pode contactar directamente todos os intervenientes no processo educativo (escolas, professores, alunos e pais), para além de ser uma interlocutora informada nos seus contactos com a administração escolar, a nível local, estadual e regional.

Para além disso, a CEP.CA assume-se como um serviço de interesse público e não somente como um cargo oficial, o que implica a introdução sistemática de inovação em outras três grandes áreas.

1. Área Pedagógica

A CEP.CA oferece apoio especializado em ensino de línguas estrangeiras, directamente a professores e escolas, incluindo desenvolvimento curricular, planificação e criação de materiais de ensino, desenvolvimento profissional e facilitação de parcerias com outras escolas do mundo lusófono. Para este apoio ser mais eficaz, a CEP.CA desenvolve projectos de colaboração com as escolas de acordo com um plano estabelecido conjuntamente. Ou seja, as escolas que possuem ou venham a desenvolver um projecto de desenvolvimento pedagógico, poderão receber um apoio direccionado e contínuo. Para iniciar o processo de colaboração basta contactar a Coordenadora Ana Cristina Sousa, acsousa@csustan.edu, 209-202-0980.

2. Área Tecnológica

A CEP.CA oferece cursos e oficinas sobre a utilização da tecnologia no EP, acompanhamento de projectos de intercâmbio entre escolas com apoio da internet, facilitação de comunidades virtuais de professores, alunos e pais, extensão do trabalho curricular em casa através de portais e sítios web onde se publicam e partilham materiais e experiências. Todos os professores, individualmente, ou em grupo, podem beneficiar desta componente de inovação, bastando contactar a Coordenadora Ana Cristina Sousa, acsousa@csustan.edu, 209-202-0980.

3. Área Científica

A CEP.CA divulga e integra em todas as suas actividades, os resultados mais recentes da pesquisa científica em ensino de línguas, utilização da tecnologia no ensino e formação de professores. Para além disso, realiza pesquisa directa em todo o universo educativo relacionado com o EP através de questionários e inquéritos, divulgando os seus resultados e facilitando a sua aplicação no terreno. Procede igualmente à avaliação sistemática de todos os projectos em curso com as escolas, motivando os professores participantes a tornarem-se parceiros e exemplos de boas práticas segundo um modelo de investigação-acção. Para usufruir desta área de intervenção da CEP.CA basta contactar a Coordenadora Ana Cristina Sousa, acsousa@csustan.edu, 209-202-0980.

Mesmo que esta enumeração de áreas de intervenção da CEP.CA pareça um pouco abstracta, posso dizer que já estão alguns projectos em marcha ou em fase adiantada de conceptualização. Destaco como exemplos, o projecto Piloto de Enriquecimento de Português (K-5) em curso na escola Elim Elementary, em Hilmar, o projecto de intercâmbio internacional que irá envolver as escolas secundárias de Tulare, Turlock, Hilmar e San Jose, tão bem como os contactos preliminares de preparação para a criação da credencial estadual para professores de português. Nada disto é ou será possível sem a colaboração de todos os intervenientes e apoiantes do EP, dos mais próximos aos mais distantes.

Mas as minhas últimas palavras de hoje são especialmente dirigidas aos meus colegas professores que neste momento do ano reiniciam as suas actividades lectivas, nos vários níveis de ensino e tipos de escola. Falei em cima dos nossos dotes de artista tão frequentemente esquecidos em favor de um rigor normativo e estandardizado no ensino. Disse que nos pesa investir tanto num segmento de vida de um grupo de alunos, para perdê-los de vista ao fim de alguns meses, tornando-nos transitórios nas suas jornadas de aprendizagem.

A minha proposta para os professores de português na Califórnia, eu incluída, é que tomemos como exemplo a cultura dos construtores das catedrais, mas com uma grande diferença. Hoje deslumbramo-nos ainda com o resultado da arte e esforço de milhares de canteiros, pedreiros, escultores, vitralistas, arquitectos e outros mestres, dos quais raramente alguém sabe o nome. Sabemos, no entanto, que se juntaram em comunidades profissionais, que passaram o seu saber de geração em geração e de forma organizada, e que acreditavam ser elementos chave, mesmo que anónimos, para o sucesso da obra final.

O edifício do Ensino Português ainda vai no começo. Cada professor tem um lugar de destaque nesta construção, cada um é conhecido por seu nome, todos fazem parte da mesma cadeia de talento e invenção. O meu aluno de hoje, será o teu aluno de amanhã e poderemos continuar a velar, em conjunto, na nossa comunidade profissional, para que a parte da sua trajectória de vida que se faz em português, seja a mais bem sucedida possível. Precisamos de ter ideias em conjunto, projectos em grupo, acções em comunidade e resultados que pertençam a todos.


E precisamos, sempre, que mais jovens rapazes e raparigas se deixem cativar pela doce língua portuguesa ao ponto de a quererem também ensinar.




5/Set/2008

Cristiano Ronaldo e o ensino português


Quem é o miúdo que joga futebol que não conhece o Cristiano Ronaldo? E os pais, e os professores? Pois vamos pedir uma mãozinha ao Cristiano para nos ajudar a ensinar português (mesmo embora ele geralmente use mais os pés).

Eu até gostava que ele pudesse ler este post. Se visse o que, sem saber, já está aqui a fazer, talvez decidisse vir cá visitar-nos nas férias entre os campeonatos. E ensinar também uns dribles aos praticantes da Califórnia.

Bem, então vejam lá este material de ensino para o vocabulário relativo ao vestuário e ao corpo humano. Também se pode utilizar para falar dos verbos "ser", "estar" e "ter", por exemplo.


Este livrinho digital também pode ser acompanhado da descrição áudio, que está aqui.

Agora imaginem se fosse a voz do próprio Cristiano! Que desatino.

Vamos todos escrever-lhe a convidá-lo para nos vir visitar, vale?

Nota: Este e muitos outros materiais de ensino e aprendizagem estão disponíveis no portal de recursos da CEP.CA.